GENI JOGA PEDRA!

Desde criança a mulher enfrenta aquela dissimulada agressão: Descarados provérbios maldosos,duros, naquele tom brincalhão. Joga Pedra na Geni! E na dureza do escárnio, o amor-próprio se parte... Deverás, quantas pedradas! Dava para construir uma fortaleza. E Deu. Sobrou. Com tantas pedradas dá até para retribuir. Então, que venham as pedradas da Geni.

4.1.07

campanha contra exploração e tráfico de mulheres

campanha contra Aids

26.12.06

POESIA

EU ETIQUETA

Estou, estou na moda.

É doce estar na moda, ainda que a moda

seja negar minha identidade,

trocá-la por mil, açambarcando

todas as marcas registradas,

todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser

Estou, estou na moda.

É doce estar na moda, ainda que a moda

Seja negar a minha

Identidade. eu que antes era e me sabia

tão diverso de outros, tão mim mesmo,

ser pensante, sentinte e solidário

com outros seres diversos e conscientes

de sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio.

Ora vulgar ora bizarro,

em língua nacional ou em qualquer língua

(qualquer, principalmente).

E nisto me comprazo, tiro glória

de minha anulação.

Não sou - vê lá - anuncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

para anunciar, para vender

em bares festas praias pérgulas piscinas

e bem à vista exibo esta etiqueta

global no corpo que desiste

de ser veste e sandália de uma essência

tão viva, independente,

que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

meu gosto e capacidade de escolher,

minhas idiossincrasias tão pessoais,

tão minhas que no rosto se espelhavam,

e cada gesto, cada olhar,

cada vinco da roupa

resumia uma estética?

(Carlos Drummond de Andrade, 1984)

19.11.06

Anorexia: colonizando corações e mentes

Como Foucault costumava dizer: “O poder da sociedade moderna age diretamente sobre os corpos, tornando-os dóceis e disciplinados”. Considerando “os anos dourados” pelo qual passa a “domesticidade feminina” é possível afirmar que a preocupação em patrocinar certos esteriótipos de mulher é reveladora, pois nela operam mecanismos de controle e autocontrole do comportamento e da sexualidade . A imagem feminina dócil e disciplinada é ferramenta de poder, serve para sujeitar ilusões e aspirações e abonar os valores da cultura hegemônica.
Coitadas das que não ficarão tão lindas quanto a Gisele Bündchen enfiando o dedo na garganta para vomitar, das que se mutilam e se entregam ao definhamento ou simplesmente usam o mesmo creme que ela usa na propaganda, esperando obter alívio da opressão estética. Como se auto-estima e amor próprio viesse em postes plásticos. Quantas mulheres sonham um dia serem como as top model's: desejadas e reverenciadas pelas “cortes” masculinas e conquistarem um lugar no mundo . Mesmo que tornar-se aquilo que os homens mais apreciam signifique preencher o sinistro sarcófago da anorexia , assim mesmo muitas mulheres quotidianamente se empenham em satisfazer as fantasias e os ideais machistas. A princípio as maiores e melhores oportunidades serão creditadas às belas, às magra, às bem vestidas e às sedutoras. Isso é tão forte na mente das pessoas que, aparentemente, todas as escolhas e fatos da vida feminina convergem para um aprisionamento nessa “imagem tirânica”.
É o império da Estética da Limitação e da violência contra o corpo. Da violência que coloni-za mentes, corações e territórios.

23.9.06

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...

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SELF SERVICE

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Ele prefere as loiras
as pernas, as bundas
as ricas, as putas
as filhas das santas
letradas, peitudas
alunas da puc
solteiras, taradas
mulheres pudicas
peludas, escravas
as boas de cama
mucamas, mineiras
as freiras da Itália
escocesas, peladas
meninas de estrada
as bem mal-amadas
aquelas que sempre dizem te amo
e mais nada...
licença poética

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Solteira de aceso facho
precisa logo de macho;
se é nervosinha a casada
só pode ser mal transada;
viúva cheia de enfado
tem saudade do finado;
puta metida a valente
quer cafetão que a esquente.
Mulher não vive sem homem.
Mulher não vive sem homem.
A prova mais certa disto
é que até as castas freiras
são as esposas... de Cristo.
Tal regra é tão extremista
que não contém exceção:
quem sai dela é feminista,
fria, velha ou sapatão"
E pelas bagagens dos preconceitos adquiridos
que chega-se a tanta conclusão.
licença poética

22.9.06

GRACINHAS DE HOMENS...


Manifesto Masculinista

"... como ficamos nós, que não somos mulheres, nem homosexuais, nem bi, e rejeitamos o modelo machista que nos é imposto desde criancinhas como a marca da masculinidade? A resposta está no masculinismo – uma movimentação crítico-autocrítica, reivindicativa, desfrutativa, solidarista e convivencial."


Sabendo que de carta de princípio e discursos generosos a humanidade já está de sacos e ovários repletíssimos, colocamos os dedos nas feridas através de um manifesto e proclamamos, indicativamente, o que rejeitamos e pretendemos transformar para viver melhor.

2. COMEÇO DE PENETRAÇÃO MMN - Movimentação Masculina Nordestina. Símbolo: um cacto ereto ou em repouso.

Observação: um cacto sem espinhos.

- contra o terror machista.

– contra a ditadura clitoriana.

– contra o homossexualismo autoritário.

– pela reconciliação do espermatozóide com o óvulo.

Renunciamos a todas as prerrogativas do poder machista. Que omem seja escrito sem "H".

Não nos consideramos superiores nem inferiores às mulheres, aos homosexuais e aos bi: somos diferentes e iguais.

Rejeitamos todos os modelos pré-fabricados de sexualidade, caretosos ou vanguardeiros, partindo de três princípios:

1) carência não se inventa;

2) receita, somente de bolo;

3) vanguarda também é massa.

Somos solidários com qualquer saída (ou entrada) sexual que a humanidade venha a inventar e curtir, desde que não haja imposição e violência.

3. APROFUNDANDO A ENTRADA

– Abaixo o guarda-chuva preto. Não somos urubus.

– Abaixo as exigências do paletó e da gravata.

– Contra o relógio bolachão.

– Pelo direito de mijar sentado.

– Pelo respeito ao pudor masculino: mictórios privativos.

– Pelo amparo aos pais solteiros e abandonados pelas mulheres amadas desalmadas: creches nos bares.

– Queremos pensão por viuvez, auxílio-alimentação e licença-paternidade. Não amamentamos, mas podemos trocar fraldinha.

– Pela liberação da lágrima masculina.

– Contra o fechamento do mercado de trabalho aos homens: queremos ser secretários, telefonistas, babás, etc.

– Não queremos ser "chefes" de família nem regentes sexuais. Igualdade fora e em cima da cama.

– Queremos trepar mais por baixo.

– Queremos ser tirados pra dançar.

– Queremos ser cantados e comidos.

– Pelo nosso direito de dizer não sem grilos nem questionamentos da nossa masculinidade.

– Pelo direito de brochar sem explicação. Mulher também brocha. Aquele ou aquela que nunca brochou que atire a primeira pedra.

– Abaixo a máscara da fortaleza masculina. Queremos ter o direito de assumir nossas fragilidades.

– Abaixo o complexo de corno. Por que mulher não é corna? Fidelidade ou infidelidade recíproca.

– Cavalheirismo é cansativo e custoso. Delicadeza é unissex. Que seja extinto o cavalheirismo ou se instaure, também, o damismo.

– Queremos receber flores.

– Exigimos a modificação do Pai Nosso:

a) Pai e Mãe nossos que estais no céu...;

b) bendito seja o fruto do vosso ventre, do nosso sêmen.

– Pela capacitação dos homens, desde a infância, para as tarefas tidas como "essencialmente femininas".

Reciclagem geral. Queremos aprender corte e costura, culinária, cuidado de crianças, etc.

Em contrapartida, ensinaremos às mulheres: trocar pneu de carro, bujão e fusível; dar porrada, atirar e espantar ladrão; matar barata e rato.

– Pela paternidade responsável e contra a gravidez e os filhos serem utilizados como elementos de chantagem sentimental sobre nós.

– Pelo respeito à intuição masculina.

– Denunciamos a utilização depreciativa das expressões "cacete", "caralho", "pra cacete", "pra caralho". Exigimos que cada um ou cada uma se posicione: cacete/caralho é bom ou não é? Se é bom, respeitem como ao seu pai ou a sua mãe.

– Protestamos contra o fato do nosso órgão do amor ser representado, simbolicamente, por espadas, canhões, porretes, e outros instrumentos de agressão e guerra. Só aceitamos a simbolização a partir de coisas gostosas e sadias: chocolates, biscoitos, bananas, batons, picolés, pirulitos, etc.

– Denunciamos como principais vias condutoras do machismo: as vovozinhas cândidas, as mulherezinhas dondocas, as mãezinhas possessivas e as professoronas assexuadas.

4. EMPURRADINHA FINAL

Considerando que muitos masculinistas trabalham dois expedientes, estudam e frequentam um milhão de reuniões e eventos, sem falar das poligamias possíveis, não iríamos incorrer na atitude fascista de inventar mais uma reunião para a comunidade masculinista. Portanto, o nosso princípio de organização é o seguinte: grupos de um, cada grupo obedece a seu chefe. Assembléias gerais com ego, id e superego. Voto de minerva para ego. Convencidos de que a perfeição não é uma meta e é um mito, procuramos fazer um esforço no sentido de romper com 70% do nosso machismo atual e acrescentar sempre novos itens neste manifesto, aceitando a contribuição crítica e propositiva de todos os masculinistas e outros segmentos sexuais, preservada a nossa opção fundamental pelas mulheres.

Denunciamos os machões enrustidos, que utilizando o discurso masculinista, pretendem apenas dar os anéis para não perder os dedos: recuam em 30% de machismo para manter os 70%. É a Nova República do machismo.

Somos todos oprimidos. E sendo os homens, estatisticamente, minoritários diante das mulheres, isto já nos caracteriza como minoria oprimida. Nós, homens masculinistas, sofremos a pressão dos machões, das feministas sectárias e dos homossexuais autoritários. O que nos caracteriza como a menor minoria oprimida. Requeremos, portanto, o apoio extremo e a solidariedade máxima por parte da sociedade inservil.

12.9.06

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Iron Maiden era o nome de um instrumento de tortura muito utilizado na Europa Medieval. Tratava-se de um sarcófago com o formato de corpo de mulher onde as vitimas do Santo Ofício eram trancafiadas para que morressem lentamente de inanição. Numa versão mais cruel, este “estojo de tortura” era completado por fincos de ferro que perfuravam a vítima no momento em que a tampa era fechada. Enquanto no interior do sarcófago o martirizado berrava de dor e desespero , do lado de fora , o carrasco contemplava a suntuosidade desumana e o sorriso frio da Donzela de Ferro. Foram-se os tempos da Inquisição, mas as silhuetas metalúrgicas e os corpos perfeitos assumiram o lugar da Iron Maiden, condenando muitas mulheres a flagelos semelhantes aos medievais.

28.8.06




OLHOS CANIBAIS SÓ CONSOMEM IMAGENS CRUAS

Foram-se os tempos em que os programas de TV de sábado à tarde eram dedicados aos show's enfadonhos: " Após o comercial os telespectadores poderão assistir como é feito uma lipo” anuncia a apresentadora bonitona. Logo depois, o procedimento cirúrgico é transmitido ao vivo e em cores cruas. Sem edição ou censura de imagens. Já de saída, caberiam aqui milhares de comentários sobre Ética Médica, outros milhares sobre a banalidade e a mediocridade dos programas de TV. Mas o episódio todo merece ser comentado.
" Hoje em dia, graças à cirurgia plástica qualquer mulher pode ficar satisfeita consigo mesma” diz o sorridente doutor, enquanto prepara-se para "dilapidar" uma mulher. Ao mesmo tempo em que realiza a cirurgia, o médico fala à repórter sobre os "benefícios" de se fazer uma plástica para reduzir os "excessos".
Muitíssimo mais impressionante do que as palavras levianas do "doutor", era sua performance: parecia um "toreador", enfiando suas espadas no lombo del toro . A destreza com o bisturi até poderia ser considerado algo sublime, não fosse o exibicionismo macabro. Era de arrepiar quando ele enfiava a agulha cirúrgica (un espetón) nas costas da paciente (vítima), despedaçando e sugando a gordura dela. A apresentadora tentava amenizar o mal-estar e a falta de decoro, defendendo que apresentação de cirurgias plásticas na TV era algo “educativo”.
A paciente uma jovem vítima, magrela e sorridente assistia (junto com milhões de pessoas) a própria carne (inerte e servil) ser esfaqueada em prol do climax do espetáculo. Sempre sorrindo satisfeitíssima, ela também não ficava atrás no quesito exibicionismo, afinal de contas, seu corpo era o centro daquele show e a razão dos pontos altíssimos no IBOPE.
A cirurgia dolorosa e banal termina e a repórter pergunta a paciente se doeu. Com a mesma simpatia alienada ela responde : " Não doeu nada, foi até divertido". Divertido? Realmente, tem muita gente se diverte vendo barbaridade, acha graça, dá boas gargalhadas com bizarrices. Mas fala sério! Numa tourada quem menos se diverte é o touro. Assistindo o próprio lombo ser perfurado pelos espetón del toreador.
Resumindo, eram cenas que extrapolavam os limites do bom senso estético e passava anos luz de qualquer senso ético. Um show sinistro protagonizado por um médico sem decoro, um corpo inerte e submisso, um programa de TV inconseqüente e multidões de e spectadores (voyers), apreciando com seus "olhos canibais" a gastronomia daquelas imagens.
Na TV é assim: a medicina a ciência que discute o limiar entre a vida e a morte é convertida em "entretenimento escatológico”; o corpo feminino é convertido num pedaço de carne a ser consumido pelos olhos antropófagos; e o escrúpulo é convertido em coisa que não existe, quando o assunto é prender atenção do telespecatdor médio com imagens de brutalidade
.





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27.8.06

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EU SOU O MEU CORPO,
EU PERTENÇO A ELE,
ELE PERTENCE AOS HOMENS

Muitas vezes essa frase pode soar estranha ou até mesmo óbvia, tudo depende do nível de consciência que seus olhos possam suportar. O fato de muitas mulheres se reduzirem à suas bundas ou peitos não é muito raro numa sociedade onde as pessoas não são. Elas possuem. Se um homem interessante se mede pelo valor de seu carro (e de seu celular) e uma mulher pelo tanto de sexualidade que transpira, quanto mais perto dos padrões de beleza veiculados nas revistas e novelas mais valor ela vai poder agregar ao veículo de seu namorado. Para muitos, se não ficasse esteticamente estranho, poderiam até se cortar as cabeças femininas, questão de bom senso. Tudo o que não tem utilidade é supérfluo, tudo que é supérfluo é coisa de mulher. Coisa de mulher é gastar o dinheiro que os homens ganham, eles ganham porque pensam. Lógica capitalista. Lógica dos que sabem pensar.
Nos tempos em que o machismo se generaliza e se torna totalizante, os olhos totalizam a consciência das pessoas, o conceito do estético aprisiona os seres humanos e eles não conseguem pensar para além da forma. O desejo manifesto por um automóvel é igual ao que se tem por uma mulher. O tesão que sentimos por uma bunda ou pelo design de uma traseira de carro é praticamente o mesmo. Eles irão servir-te da mesma forma. Irão te valorizar no mercado se forem bonitas e de último modelo. O machismo anula as diferenças entre um automóvel e uma mulher. Entre o corpo e cérebro feminino. Entre as roupas que uma mulher pode comprar e sua capacidade de pensar. Entre um relacionamento amoroso e um financiamento de um bem.

19.8.06


Marielma Sampaio. Filha de uma agricultora do interior do Pará. A mãe entregou a filha a um casal com a promessa de que a menina iria trabalhar e estudar em Belém. No dia 12 de novembro de 2005 foi assassinada. O laudo do IML indicava que Marielma fora vítima de fraturas no crânio, nas costelas. Teve os pulmões perfurados, ruptura do baço e dos rins, sofreu queimaduras, além de seu corpo apresentar marcas de choque elétrico. Os responsáveis pelo crime foram a patroa de Marielma Renata e o patrão Ronivaldo que estuprou a menina antes de matá-la . Essa criança da foto não existe mais, deixou de existir porque era pobre e do sexo feminino. Mas as pancadas dos carrascos, que eliminaram Marielma, não são menos violentas do que a injustiça social desse país que permite que continuem existindo milhares de outras Marielmas . Meninas pobres, que são usadas como mão-de-obra, abusadas sexualmente e jogadas fora como resíduo.

_____________________________________________________

O trabalho infantil doméstico envolve quase meio milhão de crianças e adolescentes no Brasil. Aproximadamente uma em cada 10 crianças entre 10 e 14 anos trabalha no Brasil (CEPAL, 1999). Esta taxa está entre as três maiores da América Latina, com o agravante de que o Brasil tem, pelo menos, o dobro da renda per capita dos outros países que apresentam taxas similares (Honduras e Guatemala). Das crianças e adolescentes que trabalham em casa de terceiros (dados PNAD – 2001):93% são do sexo feminino, 61% são afro-descendentes, 45% têm menos de 16 anos (idade mínima permitida por lei para o trabalho doméstico). O trabalho infantil doméstico, além das críticas usuais aplicáveis a todo tipo de trabalho infantil, gera também preocupações específicas devido a duas peculiaridades: por ocorrer fora do sistema econômico (não visa lucro), tem um impacto diferente sobre a socialização para o trabalho em relação ao exercido em estabelecimentos empresariais. Ou seja, o trabalho infantil doméstico contribui menos para a experiência do trabalhador do que as outras formas de inserção no mercado de trabalho. Por ser realizado no âmbito residencial, onde não é possível uma fiscalização sistemática, ele expõe o(a) trabalhador(a) a uma série de injustiças, desde a baixa remuneração e longas jornadas de trabalho até as mais críticas, que envolvem abusos sexuais e atos de violência. Outra característica deste problema é com relação ao gênero: as meninas somam mais de 90% dos casos, já que culturalmente tarefas domésticas são "naturalmente" realizadas pela mulher. As conseqüências deste tipo de trabalho têm impacto sobre a saúde (por exemplo, muitas meninas sofrem de doenças nervosas, tais como problemas estomacais e dores de cabeça), desenvolvimento psicológico (amadurecimento acelerado, reduzindo o período da infância) e desenvolvimento social (privadas da convivência com suas famílias, não se sentem parte de um grupo social).
Dados Unicef, 1997.

15.8.06

AS MULHERES DA MINHA GERAÇÃO

As mulheres de minha geração abriram suas pétalas rebeldes
Não de rosas, camélias, orquídeas ou outras flores.
De frivolidades tristes, de casinhas burguesas, de costumes anexos
Mas de pólens peregrinos entre ventos
Porque as mulheres de minha geração floresceram nas ruas
Nas fábricas se fizeram fiandeiras de sonhos
No sindicato organizavam o amor segundo seus sábios critérios
Ou seja,disseram as mulheres de minha geração
Cada uma segundo a sua necessidade e capacidade de resposta
Como na luta golpe a golpe e no amor beijo a beijo
Em escolas argentinas,chilenas ou uruguaias
Aprenderam o que tinham que saber para o saber glorioso
Das mulheres de minha geração
Mini – saias em flor nos anos setenta
As mulheres de minha geração não ocultaram nem as sombras
De coxas de fora como as de Tânia
Erotizando com o maior dos calibres
Os caminhos duros da hora marcada com a morte
Porque as mulheres de minha geração
Beberam com vontade o vinho dos vivos
Acudiram a todos os chamados
E foram dignidade na derrota
Nos quartéis lhes chamaram de putas e não as ofenderam
Pois vinham de um bosque de sinônimos alegres:Minas,Brotos, Gatas, Moças, Pequenas, Gurias, Garotas,Velhas,SenhorasSenhoritas, Panteras
Até que elas mesmas escreveram a palavra Companheira
Em suas costas e nas paredes de todas as celas
Porque as mulheres de minha geração
Nos marcaram com o fogo indelével de suas unhas
A verdade universal de seus direitos
Conheceram a prisão e os golpes
Habitaram mil pátrias e em nenhuma
Choraram seus mortos e os meus como se fossem seus
Deram calor ao frio e ao cansaço desejos
À água sabor e ao fogo a direção correta
As mulheres de minha geração pariram filhos eternos
Cantando “summertime” os amamentaram
Fumaram marijuana nos poucos descansos da luta
Dançaram o melhor do vinho e beberam as melhores melodias
Porque as mulheres de minha geração
Nos ensinaram que a vida não se oferece em borbotões companheiros
Porém de golpe e até o fundo das conseqüências
Foram estudantes, mineiras,sindicalistas, operárias,Artesãs, atrizes,guerrilheiras, até mães e parceiras
Nos raros tempos livres da luta de Resistência
Porque as mulheres de minha geração só respeitaram os limites que
Superavam todas as fronteiras
Internacionalistas de carinho,brigadistas do amor,
Delegadas de dizer te amo, milicianas na carícia
Entre uma batalha e outra as mulheres de minha geração se deram toda
E disseram que ainda era pouco.
Declararam-nas viúvas em Córdoba e Tlatelolco.
Vestiram-nas de negro em Porto Montt e São Paulo
E em Santiago, Buenos Aires ou Montevidéu
Foram as únicas estrelas na longa noite clandestina
Suas prisões não são prisões
Porém uma forma de viver para o que der e vier.
As rugas que aparecem em seus rostos
Dizem tenho sorrido e chorado e voltaria a fazê-lo.
As mulheres de minha geração
Ganharam alguns quilos de razões que se grudam em seus corpos
Se movem um pouco mais lentas e cansadas de esperar-nos na meta final
Escrevem cartas que incendeiam memórias
Recordam aromas proscritos e os exaltam
Inventam a cada dia as palavras e com elas nos empurram
Nomeiam as coisas e nos preparam o mundo
Escrevem verdades na areia e as entregam ao mar
Nos convocam e nos parem sobre a mesa posta
Elas dizem pão, justiça, liberdade
E a prudência se transforma em vergonha
As mulheres de minha geração são como barricadas:
Protegem e animam, dão confiança e suavizam o gume da ira.
As mulheres de minha geração são como um punho cerrado
Que resguarda com violência a ternura do mundo.
As mulheres de minha geração não gritam
Porque elas derrotaram o silêncio.
Se algo nos marca, são elas.
A identidade do século são elas.
Elas: a fé fortalecida,o valor oculto num panfleto
O beijo clandestino,o retorno de todos os direitos
Um tango na serena solidão de um aeroporto
Um poema de Gelman escrito num guardanapo
Benedetti compartilahdo no mundo de um guarda - chuva
Os homens e os amigos protegidos com raminhos de arruda
As cartas que fazem beijar o carteiro
As mãos que sustentam os retratos de meus mortos
Os elementos simples dos dias que aterrorizam o tirano
A complexa arquitetura dos sonhos de teus netos
Isso é tudo e tudo se sustenta
Porque tudo vem com seus passos e nos chega e nos surpreende.
Não há solidão onde elas cuidam
Nem esquecimento enquanto elas cantam.
Intelectuais do instinto, instinto da razão
Prova de força para o forte e vitamina do fraco.
Assim são elas, as únicas, imprescindíveis
Sofridas, golpeadas, negadas porém invictas
Mulheres de minha geração
Luís Sepúlveda, 1999 - ( tradução- Jacaré e Edimar)

7.7.06








No atual estado de coisas em que nos encontramos o feminismo tornou-se uma necessidade. E a construção de uma nova civilização, baseda na parceria entre os sexos é uma urgencia humana. É preciso refundar nossa cultura. Romper com a moral de sociedades baseadas na guerra “heróica” e na dominação de uma pequena elite masculina, governos da força e do medo.

SORRIA!

VOCÊ ESTÁ SENDO

MANIPULADA.



O machismo é uma ideologia que toma metade da humanidade como peças a serem controladas. Se fundamenta principalmente na visão de que a mulher é um mero equipamento de procriar homens, uma tecnologia sexual reprodutiva. Uma propriedade do homem, cuja sexualidade tem como função ser controlada e servir aos “proprietários” homens.

4.7.06






DIGNIDADE NÃO TEM PREÇO

24.5.06

22.5.06

A MATERIAL GIRL
DAS PROPAGANDAS DE CERVEJA:


Estamos vivendo num mundo materialista
E eu sou uma garota materialista
Você sabe que estamos
Vivendo num mundo materialista
E eu sou uma garota materialista.

o cara com a grana de verdade
É sempre o "Senhor Certo"










A MAIORIA
DAS MULHERES
DESEJA E SONHA
TER UM ROSTO
E UM CORPINHO
DE BONECA ....
ROSTO E CORPINHO
DE BONECA É ASSIM:






















Anorexia A auto-imagem é uma espécie de "retrato mental" que a pessoa tem dela mesma. A insatisfação com o próprio corpo causada por uma auto-imagem deturpada pode levar a um "distúrbio" de auto-imagem. A pessoa sente-se inadequada, pouco atraente, acha-se incapaz de ser aceita, sente-se constantemente rejeitada e pode partir para a "correção" do que avalia defeituoso em si própria.Uma percepção inadequada do tamanho, proporção do corpo ou de partes, vistas como maiores, mais volumosos ou desproporcionais do que efetivamente são, pode gerar uma insatisfação constantes em mulheres adultas, adolescentes e crianças. Neste sentido, a insatisfação começa sendor vinculada a uma parte do corpo específica (barriga, por exemplo) e no final o todo. Essa percepção pode levar a pessoa a se recriminar. Muitas vezes, em função desta distorção a pessoa evita situações em que tenha de expor o corpo, como piscina, praia, relacionamentos íntimos etc. Há divergências se o transtorno de auto-imagem seria causa ou conseqüência da anorexia nervosa, mas há consenso quanto a seu papel na manutenção e mesmo na perpetuação do quadro, sendo que a pessoa continua se vendo "gorda" mesmo quando patologicamente magra e o emagrecimento não faz cessar a ânsia de perder peso, muito ao contrário. Embora menos comprometida do que na anorexia, a auto-imagem corporal está alterada na bulimia nervosa. A boneca Barbie, por exemplo, presente na vida de 9 em cada 10 meninas, tem proporções que projetadas num corpo adulto revelaria uma anorexia. São essas as proporções que moldaram e que estão moldando a auto-imagem de milhares de meninas.

21.5.06

A GRANDE MENTIRA



Os nazistas acreditavam na propaganda como uma ferramenta vital para o atingimento de seus objetivos. Alguns alto-oficiais nazistas não tinham dilemas morais em manipular informações que eles mesmos sabiam ser falsas. Os nazistas deliberadamente difundiam informações falsas como parte da doutrina conhecida como a Grande Mentira. A "Teoria da Grande Mentira" foi utilizada para explicar como os alemães vieram a acreditar em Adolf Hitler, que afirmava que a Alemanha havia vencido a Primeira Guerra Mundial na linha de frente. A noção de Grande Mentira como ferramenta de propaganda ideológica tem mais frequentemente sido usada para se referir a crença de que uma mentira, repetida com freqüência e berrada alto o suficiente, ignorando todas e quaisquer declarações que desmascaram a mentira, irá com o tempo ser acreditada pelas massas. A técnica da Grande Mentira refere-se a tentativas por propagandistas de usarem uma repetição enfática freqüente de uma mentira como meio para fazer as pessoas acreditarem nela. Isso é com certeza uma técnica de propaganda que os nazistas usaram repetidas vezes. Mas não é de forma alguma exclusividade dos nazistas ou dos sistemas totalitários, visto que podemos observar vários empregos dessa técnica ainda hoje....