18 de maio de 2016
20 de novembro de 2014
Os Intolerantes
17 de setembro de 2014
Coração suburbano também fere e se locupleta da estigmatização das negras
23 de maio de 2014
1 de abril de 2014
Utopia e Barbárie (Silvio Tendler)
Ficha Técnica
11 de março de 2014
Quando a gente deixou de achar graça um do outro...
20 de novembro de 2013
Viva a resistência da população negra! 500 anos lutando contra dominação!
Sentir as forças vindas dos céus, da missão...
Dos seios da mãe África e do coração
É hora de escrever entre a razão e a emoção
Mãe! Aqui crescemos subnutridos de amor
A distância de ti, o doloroso chicote do feitor...
Nos tornou algo nunca imaginavel, imprevisível
E isso nos trouxe um desconforto horrível
As trancas, as correntes, a prisão do corpo outrora...
Evoluiram para a prisão da mente agora
Ser preto é moda, concorda? Mas só no visual
Continua caso raro ascensão social
Tudo igual, só que de maneira diferente
A trapaça mudou de cara, segue impunemente
As senzalas são as ante salas das delegacias
Corredores lotados por seus filhos e filhas...
Hum! Verdadeiras ilhas, grandes naufrágios
A falsa abolição fez vários estragos
Fez acreditarem em racismo ao contrário
Num cenário de estações rumo ao calvário
Heróis brancos, destruidores de quilombos
Usurpadores de sonhos, seguem reinando...
Mesmo separado de ti pelo Atlântico
Minha trilha são seus românticos cantos
Mãe! Me imagino arrancado dos seus braços
Que não me viu nascer, nem meus primeiros passos
O esboço! É o que tenho na mente do teu rosto
Por aqui de ti falam muito pouco
E penso... Qual foi o erro cometido?
Por que fizeram com a gente isso?
O plano fica claro... É o nosso sumiço
O que querem os partidários, os visionários disso
Eis a qüestão...
A maioria da população tem guetofobia
Anomalia sem vacinação.
E o pior, a triste constatação:
Muitos irmãos patrocinam o vilão...
De várias formas oportunistas, sem perceber
Pelo alimento, fome, sede de poder
E o que menos querem ser e parecer...
Alguém que lembre, no visual, você.
A carne mais barata do mercado é a negra,
A carne mais marcada pelo Estado é a negra
A carne mais barata do mercado é a negra,
A carne mais marcada pelo Estado é a negra
Mas não se pode seguir aqui agachado
É por instinto que levanto o sangue Banto-Nagô...
E em meio ao bombardeio
Reconheço quem sou, e vou...
Mesmo ferido, ao fronte, ao combate
E em meio a fumaça, sigo sem nenhum disfarce
Pois minha face delata ao mundo o que quero:
Voltar para casa, viver meus dias sem terno
Eterno! É o tempo atual, na moral
No mural vedem uma democracia racial
E os pretos, os negros, afro-descendentes...
Passaram a ser obedientes, afro-convenientes.
Nos jornais, entrevistas nas revistas
Alguns de nós, quando expõem seus pontos de vista
Tentam ser pacíficos, cordiais, amorosos
E eu penso como os dias tem sido dolorosos
E rancorosos, maldosos muitos são,
Quando falamos numa miníma reparação:
- Ações afirmativas, inclusão, cotas?!
- O opressor ameaça recalçar as botas..
Nos mergulharam numa grande confusão
Racismo não existe e sim uma social exclusão
Mas sei fazer bem a diferenciação
Sofro pela cor, o patrão e o padrão
E a miscigenação, tema polêmico no gueto
Relação do branco, do índio com preto
Fator que atrasou ainda mais a auto-estima:
-Tem cabelo liso, mas olha o nariz da menina
O espelho na favela após a novela é o divã
Onde o parceiro sonha em ser galã
Onde a garota viaja...
Quer ser atriz em vez de meretriz
Onde a lágrima corre como num chafariz
Quem diz! Que este povo foi um dia unido
E que um plano o trouxe para um lugar desconhecido
Hoje amado (Ah! muito amado..), são mais de quinhentos anos
Criamos nossos laços, reescrevemos sonhos
Mãe! Sou fruto do seu sangue, das suas entranhas
O sistema me marcou, mas não me arrebanha
O predador errou quando pensou que o amor estanca
Amo e sou amado no exílio por uma mãe branca
A carne mais barata do mercado é a negra,
A carne mais marcada pelo Estado é a negra
A carne mais barata do mercado é a negra,
A carne mais marcada pelo Estado é a negra.
17 de novembro de 2013
Previsão de orçamento da União para 2014
20 de agosto de 2013
Filmenista: Cairo 678
5 de junho de 2013
Será que as mulheres brasileiras terão que retirar seus úteros para garantir Direitos Humanos?
21 de março de 2013
Amina, teu corpo é um campo de batalha!
AMINA FUE CONDENADA A MUERTE !
8 de março de 2013
Somos tantas Marias - sem - vergonha de ser mulher
Rama, florescendo por todo o planeta. Lilás.
São Maria - sem - vergonha de ser mulher.
Não são só florzinhas. São mulheres se agrupando,
Misturando suas cores, gritando seus encantos,
Exibindo suas verdades.
São domésticas, bailarinas, médicas, estudantes, bancárias,
Professoras, escritoras, garis, brancas, negras, índias,
Meninas...
São sem vergonha de lutar,
Acreditar, denunciar, exigir, reivindicar, sonhar...
São sem vergonha de dizer
Que ainda falta trabalho, sálario digno, respeito...
Que ainda são vítimas de violência física,
Da porrada, do assédio, do estupro, do aborto,
Da prostituição, da falta de assistência...
São Maria - sem - vergonha de se indignar
Diante do preconceito, da escravidão, da injustiça,
Da discriminação aos seus cabelos pixaim
E à sua pele negra...
São Maria - sem - vergonha de brigar por creches,
Meio ambiente, pelo direito de ter ou não ter filhos...
São Maria - sem - vergonha de ficar bonita,
Pintar a boca e da sua boca soltar um beijo
Que não vem de sua boca, mas de seu ser inteiro,
Indivisível, solidário.
São Maria - sem - vergonha de dizer NÃO, de buscar
Alegria, prazer... Sem vergonha de se cuidar,
De usar camisinha e de se apaixonar. Atrevidas,
Maria - sem - vergonha de decidir, fazer política,
Escolher e ser escolhida.
São essas sem vergonha que
A cada tempo mudam a história,
Comquistam direitos, dão a vida.
Geram outras vidas insistentemente.
Desavergonhadamente vão tecendo de cor e beleza,
O desbotado das relações humanas,
Sem medo, sem disfarce, sem vergonha de ser feliz
Vão parindo com dores e delícias um novo mundo
Pra mulheres e homens
Um novo mundo pra "comunidade dos seres"
Autora: Nanci Silva
20 de fevereiro de 2013
11 de fevereiro de 2013
Documentários PAGUça-sua-mente
5 de fevereiro de 2013
Manual de Instruções para a Domesticação de Mulheres : Edição irlandesa, século XX.
Regra 1: encontre uma mulher que quebrou uma regra. Não importa qual. Pode ser bonita demais. Ou triste demais. Pode ter amado o homem errado ou simplesmente ter sorrido na hora errada. Melhor ainda se estiver grávida. Sozinha. Suja de desejo ou de vergonha.
Regra 2: chame-a de Madalena. Isso basta. É uma palavra que justifica tudo — o enclausuramento, a lavagem, o castigo, a purificação.
Regra 3: trancafie. Chave dupla. O Estado fornece o cadeado. A Igreja, a sentença.
Então, começa o processo. Lave. Esfregue. Purifique. Torne o corpo útil — afinal, ele é uma engrenagem. Produz. Trabalha. Sustenta a moral da nação. Nada de salário, apenas orações. Nada de identidade, apenas silêncio.
Se ela gritar, diga que é histeria. Se tentar fugir, castigue. Se engravidar de novo — por estupro, por abuso, por desespero — retire a criança, desapareça com ela. Bebês são como pecados: é preciso enterrá-los. Ou vendê-los. Ou negar que existiram.
A fossa dos bebês abortados pela Igreja Católica
A recente exumação dos 796 corpos de bebês e crianças encontrados na fossa do lar católico em Tuam, iniciada oficialmente em 2025 pelo governo irlandês, lança luz sobre o mesmo sistema de violência institucional que sustentava as Lavanderias de Madalena. Ambos os espaços — o lar de mães e bebês e as lavanderias — faziam parte de uma engrenagem de controle moral sobre os corpos femininos, especialmente os corpos das mulheres pobres, solteiras ou vítimas de violência. As crianças mortas em Tuam são a consequência final desse regime: frutos indesejados de mulheres consideradas “imorais”, apagados do registro civil, da história e da memória coletiva. Nas lavanderias, essas mães eram punidas com trabalhos forçados; nos lares como Tuam, seus filhos, por serem considerados herança do pecado, eram separados delas, negligenciados, e, como mostram as valas comuns, muitas vezes deixados à morte.
Em nome de Deus
Um relatório oficial do governo irlandês, divulgado em 2013, admitiu que o Estado irlandês foi responsável pelo envio de cerca de 30 mil mulheres e meninas para as chamadas "Lavanderias de Madalena", instituições católicas que eram verdadeiras senzalas femininas, onde adolescentes sem teto, mães solteiras, jovens delinquentes ou consideradas "problemáticas" foram submetidas a longas jornadas de trabalho não remunerado e sofreram todo tipo de tortura física e psicológica.
Essas instituições, dirigidas por freiras católicas, foram acusadas de tratar as internas colocadas sob seus cuidados como "escravas", em pleno século XX (entre 1922 e 1995).
Tudo leva a crer que foi o trabalho escravo dessas mulheres que financiou congregações católicas da Irlanda, como as Irmãs de Nossa Senhora da Caridade, os Bons Pastores, as Irmãs da Misericórdia e as Irmãs Religiosas da Caridade.
Quem eram essas mulheres escravizadas, chamadas pela Igreja de “Irmãs de Madalena”? A maioria das abrigadas pelas "Lavanderias de Madalena" eram mulheres acusadas por pequenos delitos como, por exemplo, não pagar por um bilhete de ônibus, furto e vadiagem. Havia também jovens órfãs ou abandonadas pelas famílias.
As sobreviventes contaram ao Grupo de Defesa e Justiça para as Madalenas como funcionavam as instituições: um regime rígido e inflexível de trabalho e oração, com muitos casos de abuso sexual.
Mais de 10.000 mulheres, com idades entre 9 e 89 anos, foram enviadas para oito das dez lavanderias, segundo os registros disponíveis entre 1992 e 1996. O Grupo de Defesa e Justiça para as Madalenas tomou conhecimento de pelo menos 988 mulheres enterradas nos cemitérios das "Lavanderias" de toda a Irlanda, o que significa que essas mulheres permaneceram nas instituições até a morte. A Dra. Katherine O'Donnell, diretora do Centro de Estudos das Mulheres da University College, em Dublin, disse: "O Estado enviou meninas e mulheres para o sistema de lavanderia Madalena através dos tribunais, de forma ilegal."
Esse cenário aterrador das Lavanderias de Madalena foi retratado no filme The Magdalene Sisters (2002).
O filme se passa na década de 1960 e conta a história de Margaret, uma jovem estuprada pelo primo e enviada à instituição pela família; Bernadette, uma jovem muito bonita e sensual, considerada um perigo para os homens da vizinhança; Rose e Crispina, duas mães solteiras. Personagens inspiradas na história de mulheres reais que realmente viveram nas "Lavanderias de Madalena". Quatro mulheres renegadas pela família e pela sociedade, internadas nessa instituição católica para "pagarem por seus pecados". Uma punição sem tempo determinado, baseada numa rotina de trabalhos forçados na instituição, que prestava serviços para presídios, hospitais e para o exército.
O nome "Irmãs Madalena" é uma clara referência a Maria Madalena: a pecadora. Mas, ao contrário da personagem bíblica que, segundo consta, foi perdoada e acolhida por Jesus, as Madalenas desta história são humilhadas regularmente pelas freiras, que não toleram desobediência e muitas vezes aplicam castigos físicos.
Para ser internada numa das Lavanderias de Madalena, bastava ser mãe solteira, ser bonita e sensual demais ou feia demais para casar, ser ignorante ou muito inteligente, vítima de estupro — enfim, bastava ser mulher e agir de maneira oposta às regras socialmente estabelecidas. Por tais crimes e pecados, as Madalenas eram obrigadas a trabalhar 364 dias por ano — descanso? Só no Natal. Não recebiam remuneração. Mulheres escravizadas com as bênçãos da Igreja e a chancela do Estado.
E não estamos falando de coisas ocorridas nos séculos XVII ou XVIII, mas do século XX. O filme se passa nos anos 1960 — década da revolução sexual, do feminismo, das lutas por direitos civis dos setores excluídos.
Neste filme, a autoridade da Igreja sobre a vida dessas mulheres é representada pela irmã Bridget, que pune as meninas que tentam fugir, desobedecem as freiras e conversam durante o trabalho. O enredo retrata também a hierarquia estabelecida pelas religiosas. Embora seja o trabalho das internas que sustenta a instituição, a comida servida a elas era bem inferior à das freiras.
O filme retrata outra faceta cruel desse sistema de escravidão: algumas dessas Madalenas também eram escravas sexuais, ou seja, eram obrigadas a prestar “favores” sexuais aos padres. Quando alguma delas engravidava, como a Igreja não tolera o aborto, os filhos fruto do estupro eram adotados por “boas famílias católicas”.
A narrativa deixa claro ainda que a escravidão dessas Madalenas mantinha muitas ordens religiosas e as obras “filantrópicas” da Igreja Católica na Irlanda.
Ficha Técnica – The Magdalene Sisters
Título em português: Em Nome de Deus (em alguns países lusófonos)
Direção: Peter Mullan
Roteiro: Peter Mullan
Produção: Frances Higson
Ano de lançamento: 2002
País: Reino Unido / Irlanda
Duração: 119 minutos
Gênero: Drama / Histórico / Social
Idioma original: Inglês
Elenco principal:
Geraldine McEwan (Irmã Bridget)
Anne-Marie Duff (Margaret)Nora-Jane Noone (Bernadette)
Dorothy Duffy (Rose)
Eileen Walsh (Crispina)
- Direção de fotografia: Nigel Willoughby
- Edição: Colin Monie
- Distribuição: Miramax Films
Prêmios e Reconhecimento:
Festival de Veneza (2002):
Leão de Ouro – Melhor Filme - Prêmio do Público (melhor longa-metragem internacional)- BAFTA Scotland Awards:
- Melhor Filme
Melhor Atriz (Anne-Marie Duff)












.jpg)






